É a partir do ano de 1824 que se inicia a construção do bairro operário da Vista Alegre, o primeiro do género a surgir em Portugal, que acompanhará, sempre, a evolução histórica da Fábrica da Vista Alegre, ao longo dos seus quase duzentos anos, imbuído do espírito empreendedor do seu fundador – José Ferreira de Pinto Basto (1774 ~ 1839), considerado um homem esclarecido do seu tempo. O bairro nasce da necessidade de albergar uma população sem passado comum (funcionando como fator de atração e fixação de mão de obra, especializada) e o caráter inovador da sua fundação revela-se na sua estrutura, na capacidade de antecipação de necessidades e nas preocupações sociais.

Nos anos que se seguiram à instalação da fábrica foram construídas, em torno do Largo da Capela, além das instalações fabris e armazéns associados, casas para operários, um Colégio, com internato (1826), o Teatro (atual Laboratório das Artes Teatro da Vista Alegre, de 1826, reconstruído em 1851 e reabilitado por diversas vezes após esta data, tendo a última ocorrido em 2015/2016), o Palácio (residência do administrador da Fábrica), a Creche, o Refeitório (ainda em funcionamento), a Garagem, o Dormitório – para acolhimento a operários de fora, solteiros e guardas, a Messe – para albergar engenheiros e outros técnicos (entretanto demolida), a Abegoaria, a Barbearia, o campos de futebol (que não corresponde à localização do atualmente existente), a sede do Sporting Clube da Vista Alegre, o campo de ténis (onde se encontra o atual picadeiro), entre outros.

São características na Vista Alegre as paredes brancas em moldura amarela, o que a distingue das povoações envolventes, em que a aplicação de fachada do azulejo é frequente. Esta particularidade, que lhe confere harmonia, encontrar-se-à, muito provavelmente, para além das opções estéticas iniciais, da influência do conceito de casa portuguesa, surgida nos anos 20 do século passado e reforçado a partir do Estado Novo (que se inicia em 1933). Aliás, Raul Lino, o artista e arquiteto nacional que mais se associa a esta corrente estética, colaborou também na criação artística dos produtos da Vista Alegre.

A criação de espaços ajardinados e de largos é importante para a interpretação desta cidade industrial, onde se encontram pinheiros, álamos e belas sombras (phytolacca dioica) mas também fontes – a do Carrapichel (1623) e a dos Amores (1923, em comemoração do Centenário da Fábrica - 1924) e até o Arco, na bela Estrada das Oliveiras, que assinala a entrada do lugar.

Para a sobrevivência da Fábrica é necessário que a Vista Alegre forme artistas. Todo o espaço é, por isso organizado em torno da cultura. Para além da música, desenho e pintura, essenciais para a formação pessoal, é cultivada a beleza do local que pretende ser inspirador. A Fábrica estendia a sua magia ao mundo exterior. Isto reflete-se através da forte presença de vegetação que pretende criar cenários encantadores, da arquitetura e da paisagem própria do local.

Morada

Largo da Fábrica, Vista Alegre
3830-292 Ílhavo

Coordenadas
Latitude
40.589585
Longitude
-8.683734

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